Papo Sério - Dia das Mães



Um Grito de Socorro

            Se alguém te contasse que você a partir de agora iria viver em um quartinho minúsculo, sem ver a luz do dia ou sentir o vento batendo em seu rosto. De repente, depois de alguns meses nessa situação um tubo oco agarra sua perna e começa a sugá-la até separá-la do corpo, assim acontece com a outra perna e braços, até restar somente sua cabeça jogada ao chão frio. Em seguida um outro aparelho surge para comprimir sua cabeça de tal forma que a reduz a nada. Cada pedaço então do que um dia foi sua cabeça é sugado e descartado.
            “Que morte horrível teria essa pessoa!”, você deve estar pensando, mas saiba que um milhão de pessoas morrem dessa forma por ano, segundo o Ministério da Saúde; são aproximadamente 2.739 mortes por dia de pequenos seres humanos que nunca vão ter a chance de brincar na areia da praia ou ralar seu joelho enquanto brincam de pega-pega.
            Você poderia pensar ainda, “mas eles são só fetos, não sentem nada!”, errado. Em 1999, Paul Harris fotografou o momento em que um bebê, Samuel Alexander, de apenas 21 semanas, tirou o dedo do útero da mãe durante uma cirurgia para corrigir um problema em sua espinha e agarrou o dedo do médico. Ou ainda você pode assistir ao filme “O Grito Silencioso”, pelo YouTube mesmo, e ver com seus próprios olhos como um “feto que não sente nada” luta para manter sua vida.
            “Mas o corpo é meu, faço com ele o que quiser”, diz o leitor. Sim o corpo é seu. Entretanto o bebê não faz parte do corpo da mãe. Em um artigo para a revista Ciência Hoje, Priscila Vianna e José Artur Bogo Chies, do Laboratório de Imunogenética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, afirma que, “o sistema imune materno precisa aprender a conviver com o feto, que pode ser comparado a um transplante, pois a presença de 50% de material genético paterno o torna, para o organismo da mãe, um ‘estranho’”. Isso mostra que apesar de um bebê estar no corpo da mãe, ele não o constitui, portanto não podemos decidir quem nasce ou não.
            Se você perguntasse a alguém que já abortou se já arrependeu-se disto, você ouviria alguns sins e alguns nãos. Mas pergunte a uma mãe se ela já se arrependeu de ter sido mãe. A resposta é unanime, e acho que você já sabe qual é.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Melisseira Com Certeza!!!!!!!

A Arte do Couro Caririense

A História do Meu Cabelo